Camões e a simplicidade do nosso estilo criativo



 

"Walking barefoot through the grass,
Leonor goes to the spring.
Looking fair, not safe, she goes".

 

As palavras são as mesmas. Os significados perdem-se na tradução para inglês. Lido numa língua estranha, o poema de Luís de Camões é claro e conciso – significa tão só que que Leonor vai descalça, a pisar a erva, até à fonte; e que vai sem parecer segura e com boa aparência.

Mas em português, bem sabemos que o poema representa muito mais do que isso. Aparte o conteúdo literário próprio da poesia, o nosso estilo escrito usa a função referencial, informativa, centrada no receptor, combinada com a função conotativa. O recurso à função poética circunscreve-se à forma. A função emotiva, centrada no emissor, é reduzida (senão banida).
 

São, em suma, os três Cês + 1 do Livro de Estilo da LPM:

 

• Clareza, frases curtas, de fácil compreensão, apelativas, mas que não suprimem pormenores da informação.
• Correcção, com informação concreta e correcta, que elucida os factos comunicados.
• Credibilidade, com dados verificados.
• Concisa, ideias escritas de forma ordenada, com o menor número de palavras e em frases curtas.
 

Ao contrário do estilo camoniano, estas regras excluem os adjectivos valorativos (portanto, no caso, saem o “formosa” e o “não segura”). Mais, aqui.

 

 Pedro Rodrigues

publicado por Lugares Mesmo Comuns às 15:47