Sexta-feira , 22 de Maio DE 2009

Política 2.0 - perguntas e respostas IV

Paulo Colaço - Hoje a Democracia é uma partida de xadrez globalizada jogada em tempo real. Um ministro ou vereador toma uma decisão às 10 da manhã, os jornais noticiam às 10.30h e a blogosfera está a reagir às 10.31h. As instituições estão preparadas para este ritmo? Os partidos estão a pensar modernizar-se ou acham que a forma clássica de gestão de informação ainda faz sentido?


Caro Paulo,


Curiosamente acredito que, melhor ou pior, sim. Que estão preparadas para o ritmo. Nobless oblige. E não há melhor formador que o estado de necessidade. Mas a expressão mais importante que refere é “reacção”. Vai sendo possível reagir mas ainda ninguém sabe muito bem como “trabalhar” num universo que multiplicou os media owners das poucas dezenas para os muitos milhares. Como se faz? Como lançamos uma ideia, uma pessoa ou um projecto? O que temos hoje na comunicação 2.0 (política, corporativa ou de produto) são fenómenos. A mesmíssima fórmula de sucesso, aplicada um pouco mais ao lado, pode resultar num falhanço sem que ninguém saiba explicar porquê. E são muito mais numerosos os falhanços que os fenómenos apresentados neste tipo de conferências. E agora fico com esta ideia. Numa próxima oportunidade faço uma conferência especialmente dedicada aos grandes casos de insucesso. Temo é que uma hora não chegue.

 

(questão colocada através do blog “psicolaranja”)
 



 Rodrigo Moita de Deus

 

publicado por Lugares Mesmo Comuns às 12:07

Política 2.0 - perguntas e respostas III

Sara Batalha - Pergunta aos dois convidados: Se todos somos Media...Se o conteúdo é o Rei...Se a forma da mensagem é a Rainha...qual a importância que o Media Training terá para o PSD nas eleições que se seguem e estratégia de comunicação política? Obrigada. (semelhante ao twitter)


Cara Sara,


Vivemos, cada vez mais, no tempo dos conteúdos. É exigido mais conteúdo e cada vez menos branding. Sinais de um tempo em que o consumidor/eleitor tem o poder do zapping. Sinais do tempo em que novos media nasceram e os antigos mudaram de formato. Por isso a questão que coloca devia ser corrigida. Quando a esmagadora maioria dos media trainings estão adaptados aos velhos media a questão que devia colocar é: “como raio se faz um media training de 2.0”?
 

(questão colocada através do blog “politicadeverdade.blog.sapo.pt”)
 

Rodrigo Moita de Deus

publicado por Lugares Mesmo Comuns às 12:03

Política 2.0 - perguntas e respostas II

Domingos de Mascarenhas - Como se propõem chegar a uma sociedade civil forte, participativa e crítica, a um "Governo Aberto" enfim a uma "Política 2.0" em Portugal a partir do actual monopólio dos partidos, sindicatos e media tradicionais (unidireccionais) sobre o debate político? No UK, nos USA, na Suíça e noutros países a sociedade civil é forte porque sabe que tem influência. Os políticos são aí directamente pressionáveis pelos eleitores e por grupos de interesses diversos. Não é raro ver deputados votar contra o seu partido. Isso nunca poderia acontecer em Portugal, onde não há círculos uninominais e nada se referenda, e impera a disciplina de voto, as máquinas partidárias e o peso das instituições (mais do que ultrapassadas). "Política 2.0" é interessante como conceito (embora nada tenha de original), mas sem as ferramentas necessárias à efectivação dessa forma de exercício da democracia, tal nunca passará de conversa de (cyber) café. Que propostas, que medidas concretas para chegarmos daqui lá? Obrigado.


Caro Domingos,


Tenho a certeza que o Diogo Vasconcelos terá, mais do que ninguém, propostas concretas para lá chegarmos. Deixo apenas uma nota de cepticismo. A sociedade civil (odiável expressão) nos países que refere não é “forte porque sabe que tem influência” A sociedade civil, em todos os países protestantes, tem influência porque é forte.

(questão colocada através do blog “politicadeverdade.blog.sapo.pt”)


 

Rodrigo Moita de Deus

 

publicado por Lugares Mesmo Comuns às 11:57

Política 2.0 - perguntas e respostas I

Alexandre Gaudêncio - Acha que os comentários nos blogues devem ficar abertos aos anónimos? Muitas vezes, e pela minha experiência, há pessoas que deixam comentários negativos para o blogue cair no descrédito. Por outro lado, muitas pessoas não se querem identificar para não sentirem represálias.Qual é a vossa opinião?


Caro Alexandre,


Há de tudo. Há quem goste. Há quem não goste. Há quem prefira não se chatear com o assunto. Há quem goste de se chatear com o assunto. A bidirecionalidade da comunicação é, no entanto, uma das premissas desta coisa do 2.0. E por bidirecionalidade entende-se a capacidade de ouvir os outros. Mesmo quando não gostamos do que estamos a ouvir. Especialmente quando não gostamos do que estamos a ouvir.

Em matéria de blogs permita-me uma certeza. Os comentários negativos não causam o descrédito de um blog. Por essa rede fora encontrará horríveis comentários a óptimos conteúdos e a conteúdos de sucesso. E a inversa também é verdadeira. São os conteúdos que causam o crédito ou o descrédito de um blog. Ou de qualquer outra coisa. Lembre-se sempre que poucas bandas terão sido tão violentamente criticadas e desacreditadas como foram, no seu tempo, os Beatles. 

 

(questão colocada através do blog “politicadeverdade.blog.sapo.pt”)

  

Rodrigo Moita de Deus

publicado por Lugares Mesmo Comuns às 11:51

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